Os sinais são intensos entre os que usam e estudam: alívio, erro, paz interior e prazer
“Maconheiro não trabalha, não estuda, é delinquente e vagabundo”. Esses são uns dos estereótipos que o usuário e o ex-usuário brasileiro recebe de maneira errônea da sociedade, após dar o primeiro "trago". Mas, em outro país ela tem efeito positivo para os indivíduos. Portugual está entre os primeiros países do mundo a legalizar a droga. A lei que entrou em vigor em 2001 mostra que dos doentes em tratamento no país alguns utilizam a 'cannabis sativa', especialmente conhecida como maconha podendo ser ingerida ou fumada pelos pacientes.
Após entrar em depressão profunda o estudante brasileiro R.C, 19 anos, pesquisou muito, fez consultas com terapeutas especializados e se tornou um usuário diário da droga. “Fui para a África fazer intercâmbio e lá procurei a opinião de alguns especialistas Eles me receitaram e desde então os malefícios da depressão não me atormentaram mais. É uma espécie de dormência física e mental. Eu vivo melhor agora, depois de me tornar usuário por um motivo de saúde”, comenta R.C.
Outro que também procurou na droga uma forma de relaxar foi o universitário Júnior Azevedo (nome fictício), de 22 anos. Ele passou a usar a droga no ensino médio e hoje admite, que apesar de ter controle, é um usuário do entorpecente. (Assista ao vídeo abaixo)
A maconha pode gerar uma síndrome a motivacional, pois, o THC (substância psicoativa encontrada na maconha), desacelera a adrenalina do corpo, colocando o mesmo em uma zona de acomodação. “Com a legalização da maconha para uso medicinal podemos perder muito, pois vamos fabricar zumbis como acontece na Suécia. Os jovens ficam perambulando nas ruas sem saber para onde ir, totalmente dependentes daquele vício. Por isso, é necessário todo o acompanhamento com um médico, assim como outros medicamentos todos devem ser ingeridos na dose certa”, acrescenta o terapeuta Cláudio Paiva.
Legalizar a erva para fins medicinais representa um avanço na medicina. Para o médico S P, a droga alivia dor em doenças devastadoras como câncer. “O uso diferenciado da maconha é que os efeitos colaterais comparados com o da quimioterapia são mais leves e mais fáceis de lidar, não causam tanto desconforto nos pacientes”, ressalta. Além disso, S P acrescenta que a maconha pode ser inalada para uma melhor aceitação do organismo e também é um jeito mais simples de utilizar o medicamento sem eventuais dores.
A psicóloga Gabrielly Assis argumenta que a dependência psicológica da maconha é muito comum entre os usuários tanto viciados quanto nos que usam para fins medicinais. “A maconha causa um certo conforto e relaxamento. Então, pode ser que no fim de algum tratamento o paciente continue usando a droga como um bem-estar psicológico, o que é preocupante já que ela causa efeitos colaterais”, opina. (Ouça a opinião da especialista abaixo)
As opiniões são divergentes, mas os efeitos são conhecidos. Vale ressaltar que o uso em grande quantidade e por muito tempo da droga passa a apresentar na vida de uma pessoa uma desmotivação de realizar as atividades comuns do dia a dia e reduz a capacidade de aprendizado.
Porta de entrada
O ex-usuário de maconha George Couto, não acredita que tenha vínculo fumar maconha com experimentar outras drogas. ‘’Já usei cocaína, êxtase, LSD, crack, entre outras, mas eu não acredito que foi a maconha que tenha influenciado. Independente da maconha eu tive vontade, não vejo relação’’, afirma.
Porém, o usuário de maconha K.O., tem outro ponto de vista. Para ele, ter fumado maconha o encorajou para experimentar outras drogas. ‘’Acredito que eu só comecei a usar crack porque já havia fumado maconha. Acho que eu não teria coragem de usar crack sem antes ter experimentado a erva, teria muito medo’’, comenta.
Problema ou solução?
Recentemente uma notícia em um dos portais de saúde do Brasil, o Bem Estar, publicou a informação de que o Chile estaria colhendo maconha para uso medicinal no combate ao câncer. O interesse está na extração de um óleo cânhamo da erva pra distribuir para pacientes na intenção de amenizar as dores oncológicas.
Essa inovação na medicina mostra a droga como uma solução para um problema de saúde, porém não soluciona a problemática que ela mesma causa. Em 2012 o numero de internação pelo uso de drogas ilícitas superou o do álcool com um crescimento de 128%, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS). (Ouça abaixo a opinião da psicóloga Gabrielly Assis)
Mas o que explica toda essa dependência? O que explica a pergunta é o estudo divulgado pelo Instituto Nacional de drogas nos Estados Unidos que constatou que a intensidade da dependência é fruto da propensão genética. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a droga é uma substância que quando utilizada por um ser vivo, modifica algumas funções, mas não altera a normalização da saúde humana.
A estimativa é que os fatores genéticos influenciem entre 40% a 60% no vicio. Um gene específico está associado a síntese da enzima monoaminoxidase A que é uma das substâncias responsáveis pelo equilíbrio de dopamina no cérebro, quando há mutações no gene a pessoa se torna vulnerável a obsessão pela droga.
Efeito negativo
Se por um lado a droga contém substâncias definidas, como uma arma medicinal no combate ao câncer e o vício na maconha ser visto como, uma propensão genética em um cérebro de gene mutável garantindo a não alteração na saúde humana. Existe o efeito negativo, que justamente cabe ao indivíduo propenso a dependência.
A psicóloga Clínica e Educacional, Gabrielly Assis, explica o transtorno causado pela droga ao dependente. “É muito decorrente entre os usuários contínuos o desenvolvimento de transtornos como: transtorno de déficit de atenção(TDAH) entre outros. Existem órgãos públicos que tratam diretamente estes casos, como: Centros de Atenção Psicossocial (Cap’s), Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAP’Sad) e Clínicas de reabilitação e ressocialização”, declara.
Desintoxicação
As clinicas de reabilitação e centros de acolhimentos trabalham para amenizar o efeito negativo causado a pessoas que por propensão genética ou não, acabam numa extrema dependência da maconha e de outros tipos de entorpecentes.
O coordenador do programa política sobre drogas e psiquiatra, Dr. Gilson Giuberti Filho, dirige o centro de acolhimento público, a Rede Abraço, e explica como funciona o serviço prestado a esses dependentes. “No caso do próprio dependente químico, este pode ser encaminhado para desintoxicação (na enfermaria de psiquiatria do HPM), para o CAPS no caso de tratamento ambulatorial ou para uma comunidade terapêutica.Se é a família que procura o centro de acolhimento, a mesma é encaminhada ao grupo de atendimento à família com os devidos encaminhamentos à assistência jurídica, CRAS, CAPS”, conta.
Equipe
Reportagem: Taynara Pirovani, Patrick Jacob, Kaique Dias, Valentina Burzlaff e Anna Luiza
Imagens: Patrick Jacob e Taynara Pirovani
Edição e editoração: Kaique Dias
Turma: 6ºA
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